Após uma semana meio turbulenta, deparei-me com essa frase.
Fui-me esvaziando do que não me acrescentava mais e me recolhendo. Buscando meus guardados, eu me deparei com essa poesia escrita há muito tempo atrás, mas que expressa o que está acontecendo no aqui e agora.
CRIATURAS
A chuva se desenrola
em cortinas de lágrimas cristalinas,
como falsa brincadeira de correr,
procurar, buscar, sufocar, esfacelar.
Do outro lado do tempo,
uns olhos fixos nos cristais;
ora se desdobrando em solidão;
ora se juntando em alegria.
Às vezes, a chorar do ser,
outras a cantar com ele,
no carrossel da vida,
tentando permutar o desespero,
pelo brilho do falso riso.
E, assim, abafando pensamentos que,
se fluíssem, estarreceriam até bichinhos,
pelas verdades chamadas incoerentes
e a certeza do descabido.
O caminhar se faz corrida deixando para trás
a cor, o brilho, o som, o cheiro...
esquecendo o simples, o cotidiano,
o milagre do sentir e do existir,
no vão sentido de alcançar o ápice e,
do qual, sem saber, está ficando tão longe.
Até o próximo Post...

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