“Tudo que muda a vida vem quieto no escuro. Sem preparos de avisar.” Guimarães Rosa
Depois do deleite no passado onde, de alguma maneira, recupero energia, coragem e força retomo o hoje, o aqui e o agora, na confusão do tempo e das horas nesta pandemia...
Neste momento de dualidade e disparidade faço um mergulho, e me reviro do avesso. E assim, tateando nas sombras e luzes, trago um soneto que escrevi há muito tempo, mas que expressa muito do que estou ou estamos vivendo agora. Em alguns instantes, sinto como se em meu peito houvesse milhões de passarinhos fazendo algazarra, batendo asas; pois esta sensação, traz os opostos, de uma só vez aos borbotões. É o inusitado: tudo misturado no corpo e na alma. É preciso olhar, separar, acolher e confiar. É a maravilha do viver.
Soneto da Disparidade
Por que precisamos falar
Daquilo que não sabemos
E, assim, não podemos entender
As palavras que nos retornam?
Por que precisamos cavar
O que está imerso
E que só o tempo trará
À tona lento e naturalmente?
Por que precisamos correr
Para o que já é parte
Quando nem sabemos ainda conviver?
Por que precisamos remoer
O que já está em nós
Para ser cultivado e cativado?
Até o próximo Post...
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