“Eu não posso criar outra alma, mas posso acordar a alma que está dormindo” Korczak
Eu sou criança... sou translúcida...
Sou diáfana... trago tudo comigo e em mim. Carrego sonhos, medos, risos e lágrimas manifestados e engolidos. Guardo os segredos e as dúvidas pois, muitas vezes, não sei o que fazer com eles. Expresso a alegria, a tristeza, os desejos mais contidos com a ingenuidade peculiar da inocência. A dor física e emocional muitas vezes se manifesta sem a percepção de causa e consequência. Esperneio, grito e choro quando sinto-a de um jeito que ainda desconheço. Sou ingênua, leve, livre e solta nestas paisagens da vida. Me escancaro, e me escondo, de todas as formas. E, após um tempo de horas em conflito, me recolho e abafo em mim, o que não processei. E isso vai doer e pode voltar, mais cedo ou mais tarde como algo, às vezes, desconhecido.
Então, é melhor não deixar pra lá, não adiar. E assim tudo vai se desdobrando para cura.
Korczak, judeu, médico pediatra abandonou a carreira para cuidar de crianças carentes. Criou o orfanato “Lar das Crianças” em Varsóvia, que acolheu 200 crianças, a maioria delas judias. Em 1942, os nazistas transferiram as crianças para uma casa pequena e suja, num gueto de Varsóvia. Em agosto do mesmo ano, as crianças foram encaminhadas ao campo de morte. Korczak teve oportunidade de sair vivo, mas optou por ficar com as crianças até o fim: os fornos crematórios.
Sinto muito ter feito esta colocação agora, mas não consegui deixar passar. Tenho admiração por sua determinação e, no Post anterior, quando citei educação infantil, ele foi o protagonista. É uma forma de homenagem. Tem muito significado para mim.
Até o próximo Post...
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